Com uma carreira iniciada na atuação, cineasta brasileiro amplia sua produção entre o cinema experimental e comercial
A trajetória de Alexandre Alonso no audiovisual brasileiro é marcada pela experimentação, pela versatilidade profissional e pela busca de caminhos alternativos para produzir cinema. À frente da ACAFilmes, produtora independente sediada em São Paulo, Alonso desenvolve projetos que transitam entre a ficção, o cinema experimental, o terror, a comédia e a ficção científica, mantendo uma relação direta com o espírito do cinema de guerrilha e do chamado cinema de bordas.
Com uma carreira que começou na atuação, em 2009, Alexandre construiu sua experiência a partir de diferentes funções no audiovisual. Ao longo dos anos, passou a ampliar sua participação nos processos de criação, assumindo atividades ligadas à direção, à produção, à escrita e à construção de projetos cinematográficos autorais. Essa experiência multidisciplinar tornou-se uma das características de seu trabalho, permitindo que a ACAFilmes desenvolvesse produções independentes mesmo diante das limitações de orçamento e infraestrutura.

ACAFilmes e a força do cinema independente
A ACAFilmes consolidou-se como espaço de desenvolvimento para obras que privilegiam a liberdade criativa e a experimentação de linguagem. Em vez de reproduzir necessariamente os padrões tradicionais da indústria, a produtora busca explorar soluções narrativas e estéticas próprias, valorizando a inventividade como parte fundamental do processo de realização cinematográfica.
Entre os trabalhos associados à trajetória de Alexandre Alonso estão produções como: The End, Mania 2, Ap.Vazio e Jogando, projetos que refletem diferentes momentos de sua pesquisa audiovisual. O conjunto de obras revela o interesse do cineasta por gêneros populares, narrativas não convencionais e possibilidades de produção que aproximam o cinema independente de novas ferramentas técnicas.
A circulação de seus trabalhos em festivais e mostras nacionais e internacionais também integra esse percurso, ampliando o contato da produtora com diferentes públicos e ambientes de discussão cinematográfica.
Para Alonso, o cinema independente representa não apenas uma alternativa econômica à produção convencional, mas também um espaço de autonomia. É nesse território que as limitações materiais podem se transformar em estímulos para encontrar novas formas de filmar, construir personagens e desenvolver histórias.
Paciente: ficção científica, humor e encontros improváveis
Entre os novos projetos da ACAFilmes está Paciente, longa-metragem de ficção científica que explora uma situação inusitada: a presença de um marciano disfarçado de psicólogo na Terra, envolvido em uma tentativa de impedir que uma ameaça extraterrestre avance sem ser percebida.
A narrativa combina elementos de ficção científica, humor e situações absurdas, utilizando o ambiente de um consultório psicológico como ponto de partida para uma história que aproxima o cotidiano de acontecimentos extraordinários. A proposta trabalha com o contraste entre a normalidade aparente da vida terrestre e a possibilidade de uma presença alienígena escondida em meio à sociedade.
O elenco reúne Cici Antunes, Regina Gaia, Ricardo Baptista, Cesar Bernardes e Alexandre Alonso. A escolha de uma narrativa de gênero com abordagem bem-humorada dialoga com a tradição de produções independentes que encontram na inventividade, na caricatura e na liberdade formal caminhos para desenvolver universos próprios.
Em Paciente, a intenção é explorar a ficção científica sem abandonar a dimensão humana dos personagens. O insólito surge em situações reconhecíveis, criando espaço para o humor e para uma reflexão sobre a dificuldade de distinguir o extraordinário daquilo que as pessoas estão dispostas a aceitar como realidade.
O projeto também reafirma o interesse da ACAFilmes em desenvolver histórias capazes de combinar referências populares com uma abordagem autoral, sem depender exclusivamente de grandes estruturas de produção.
Inteligência artificial e novas possibilidades para o cinema de guerrilha
Outro eixo importante da fase atual de Alexandre Alonso é a pesquisa com tecnologias de inteligência artificial aplicadas à produção audiovisual. Em vez de tratar essas ferramentas apenas como instrumentos de automação, o cineasta investiga suas possibilidades como recursos de criação, experimentação visual e ampliação do alcance de produções independentes.
A utilização de ferramentas generativas permite explorar cenários, atmosferas, efeitos e soluções de linguagem que tradicionalmente exigiriam equipes numerosas ou investimentos elevados. Para uma produtora que trabalha com recursos limitados, essas tecnologias abrem novas possibilidades, embora também exijam domínio técnico, planejamento e atenção à coerência visual das obras.
Na perspectiva de Alonso, a questão central não é simplesmente substituir os métodos tradicionais, mas descobrir como diferentes recursos podem coexistir. A combinação entre imagens captadas por câmeras convencionais, equipamentos antigos, edição e ferramentas de inteligência artificial faz parte de uma pesquisa que procura preservar a identidade visual do cinema independente.
Essa abordagem se relaciona à ideia de utilizar tecnologias desenvolvidas por grandes empresas para criar obras que não precisam seguir a lógica comercial dominante. O objetivo é explorar as ferramentas disponíveis de maneira criativa, mantendo a autonomia artística e a experimentação como princípios orientadores.
Projetos como Mania 2 e The End, ao lado do desenvolvimento de Paciente, fazem parte desse momento de investigação das relações entre cinema, tecnologia e produção independente.